Um paraíso exuberante
na Mata Atlântica

Goura Vrindávana está localizada num vale no alto das montanhas de Paraty. É uma área de relevo bem acidentado com restritas áreas planas. A treze quilômetros do trevo de Paraty, entrando-se pelo vale do Rio Graúna, tomando-se a vertente de um afluente, o riacho Cachoeira do Mato Dentro, na região chamada Indaiatiba, a 300 metros do nível do mar, chega-se na porteira de Goura Vrindávana.

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A terra de Goura Vrindávana abrange uma área de aproximadamente 800 hectares. Três quartos da terra estão cobertos por florestas. A propriedade está localizada nos limites do parque nacional da Serra da Bocaina, importante unidade federal de conservação. Na verdade, a parte das terras de Goura Vrindávana situadas acima da cota de quinhentos metros fazem parte do parque nacional. Isso significa que é uma área intocável de proteção total.

O parque nacional da Serra da Bocaina é uma imensa unidade federal de conservação de cento e trinta e quatro mil hectares e é a reserva de um dos mais importantes refúgios de vida do mundo, a Mata Atlântica. Essa floresta é, comprovadamente, o bioma mais rico em biodiversidade do planeta. Trata-se, portanto, de um importante patrimônio natural da humanidade. Tem uma imensa fauna e flora. Muitas dessas espécies são endêmicas, isto é, não são encontradas em outras regiões, só na Mata Atlântica. Esse tipo de floresta é também chamado de “rain-forest”, floresta de chuva, devido ao generoso regime de chuvas e abundancia de água. É, realmente, algo raro nesse mundo.

Outro fato que salta aos olhos de todos é a incrível beleza natural da região. A exuberância da flora, sempre extremamente verde, a silhueta das montanhas da Serra do mar, as cachoeiras cristalinas, a variedade de bromélias, orquídeas, helicônias e diferentes tipos de marantas, as graciosas palmeirinhas Juçara e o rendado xaxim, e inúmeras parasitas e cipós, fazem qualquer ambiente natural parecer um elaborado e requintado projeto paisagístico. Miríades de passarinhos revelam a intensa vida que acontece na floresta. Nesse cenário, vemos bandos de saíras multicoloridos, os guaxos atarefados na construção de seus balouçantes ninhos, os serenos sabiás-laranjeira, os ágeis colibris de vários tamanhos e cores, o rubro tié-sangue, cuja presença nunca passa despercebida, as irrequietas maritacas, os pica-paus, exímios ritmistas, sempre em busca de paus ocos, as estridentes arapongas, com seus gritos metálicos, os vistosos tucanos, que nos visitam quando os coquinhos das palmeiras estão maduros, e muitos outros.

Ter um vizinho da importância de um parque nacional, com a Natureza intocada, é realmente uma benção. Por outro lado, essa é uma situação bastante delicada, pois o fato de estar numa área de amortização de um parque nacional nos traz responsabilidades e requer cuidados especiais. Certa vez o diretor anterior do parque, Engo. Mario Rondon, afirmou: “Os membros da comunidade Goura Vrindávana devem ser um dos guardiões do parque”. Isso de fato tem acontecido. As queimadas desapareceram; os ladrões de palmito pararam de invadir; os moradores locais, que por gerações, caçavam, aprisionavam e traficavam animais silvestres vão gradualmente abandonando essa nefasta atividade; em suma, a presença de pessoas que possuem consciência ecológica traz uma contribuição efetiva para a preservação da Natureza.

Em registros de fotografia de satélite de nossa propriedade, num período de 10 anos, foi constatado um aumento de 10% da cobertura florestal. As áreas que anteriormente foram desmatadas para formação de bananais monoculturais, ao serem abandonadas, transformaram-se em espessas matas de capoeira, o que comprova a altíssima capacidade de regeneração dessa região de alto nível pluviométrico. Isso prova que o impacto ambiental devido a ocupação humana pode ser tremendamente abrandado se é cultiva a consciência de preservação da Natureza.

 

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