Geração de
Eletricidade

A geração de eletricidade em Goura Vrindávana não é coisa nova.
E em 2004, muita coisa mudou. Graças aos recursos recebidos de uma organização européia que aceitou nosso projeto (juntamente com o projeto da fábrica de banana passa), uma unidade de produção de eletricidade com a capacidade de 20 kilowatts/hora foi estabelecida em nossa comunidade.

Por muitos anos a eletricidade foi produzida a partir de um equipamento bem simples. Das montanhas, a água de um riacho era captada e descia por uma extensa canalização de duas polegadas que chegava à área social da fazenda com razoável pressão. Na extremidade estava acoplada uma roda Pelton de oitenta centímetros de diâmetro que transmitia a sua rotação a um simples sistema de geração de eletricidade: um alternador de automóvel Passat, de modelo dos anos setenta. Com esse aparato era gerada energia elétrica de doze volts, que fazia funcionar a ventuinha da antiga fábrica de banana passa e iluminava as rústicas, mas bem construídas, casas da comunidade. Essa energia alimentava pequenas lâmpadas de, no máximo, quarenta watts que facilitavam a vida dos moradores e, também, contribuíam para que todos fossem para cama mais cedo.

Essa descrição, no entanto, faz parte da história do passado de Goura Vrindávana. Desde 2004, a coisa mudou. Graças aos recursos recebidos de uma organização européia que aceitou nosso projeto (juntamente com o projeto da fábrica de banana passa), uma unidade de produção de eletricidade com a capacidade de 20 kilowatts/hora foi estabelecida em nossa comunidade. Foi uma difícil obra. Um grande desafio para nós. Construímos uma pequena barragem no rio. Parte do rio foi desviado e canalizado até a entrada de uma tubulação de 20 centímetros de diâmetro. Essa tubulação chega até a casa de força percorrendo 300 metros com um caimento de 55 metros de altura, que corresponde a um edifício de 15 a 20 andares. Pode-se imaginar a dificuldade dessa obra, pois teve de ser feita num terreno extremamente íngreme e acidentado. Na casa de força, foi instalada uma poderosa turbina Pelton acoplada a um gerador. Devido a que essa micro usina hidroelétrica está situada a cerca de 1 quilometro da área social da fazenda, tivemos que usar uma linha de transmissão de energia de alta tensão. Um transformador para elevar a tensão foi instalado na saída do gerador. Na outra extremidade, outro transformador foi instalado para reduzir a tensão para 110 e 220 Volts.

A consecução desse projeto foi uma grande conquista e vitória de nossa comunidade. Conseguir a sustentabilidade e auto-suficiência energética era uma meta difícil, mas foi, por fim, alcançada. Hoje podemos operar máquinas e todo tipo de equipamentos elétricos sem acarretar em contas de luz no fim do mês.

A eletricidade gerada pela força das águas é uma energia totalmente limpa que é produzida sem causar nenhum impacto ambiental. É uma fonte de energia poderosa que, uma vez implantada, faz gerar energia abundante e sem custo quanto ao consumo. É necessária, sim, uma criteriosa manutenção do equipamento, sempre checando e engraxando os rolamentos dos mancais, que giram numa velocidade vertiginosa, o alinhamento e as condições das correias, o desgaste dos carvãozinhos, etc. Algumas vezes surgem emergências, principalmente na época das enxurradas quando as águas descem das montanhas com força total, arrastando tudo pela frente. Mas aqueles que vivem em contato com a Natureza já prevêem essas coisas e devem estar sempre preparados para essas emergências.

Em suma, dentro da proposta de desenvolvimento sustentável a auto-suficiência em energia é uma conquista muito especial. Pela graça da Providência, apesar das limitações que o terreno acidentado impõe para atividades rurais aos habitantes do alto das montanhas, temos, em compensação, água em abundancia e em declive, o que faz desse elemento natural uma poderosa fonte de energia.

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